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  • Redação GestordeMarketing

O VERDADEIRO “DILEMA DAS REDES SOCIAIS”

Por Olimpio Araujo Junior


Após assistir o documentário "The Social Dilemma" na Netflix e acompanhar debates com diversos pontos de vista sobre o assunto, resolvi também dar minha opinião com a ótica de que atua há mais de 20 anos no mercado digital.


Acredito que existem na verdade muitos dilemas nesse mercado, começando pela guerra de interesses e de poder, pela hipocrisia e pelo sensacionalismo.


Ao analisar friamente a narrativa do documentário, a primeira conclusão é que aquela máxima que afirma que “a melhor forma de esconder uma mentira é entre duas verdades” está presente praticamente o tempo todo. Antes de acreditarmos cegamente em tudo o que ouvimos dos entrevistados devemos nos perguntar: "quais os verdadeiros interesses por trás desse documentário? Qual o objetivo de "demonizar" as redes sociais da forma como foi colocado?”


Lembre-se que um documentário é a melhor maneira de usar fatos para manipular opiniões e construir uma narrativa que pareça ser a verdadeira.


Apesar de toda manipulação possível por meio dos algoritmos, as redes sociais ainda são mais transparentes que a mídia tradicional onde a comunicação era unilateral e totalmente controlada por interesses políticos e comerciais.


Existem problemas... claro que sim, existe manipulação... claro que sim... estamos vendo a construção de impérios bilionários de comunicação, claro que sim... Qual a novidade? Isso tudo sempre aconteceu durante toda a história da humanidade, só mudaram os atores.


Quando Scott Goodstein, coordenador da campanha de "Obama" em 2008 manipulou as eleições usando as redes sociais, organizando grupos de universitários recrutados e assim criando um exército de "cabos eleitorais digitais", direcionando discursos para cada região do país usando pesquisas para adaptar sua narrativa para cada interesse diferente, criando fake news e construindo a “jornada do herói do seu candidato, nenhum desses "especialistas" entrevistados no documentário apareceu na mídia reclamando dos riscos políticos envolvidos.


Na verdade, ele virou "case", livro, palestras por todo o planeta e foi estudado nas grandes universidades no mundo todo como um grande case de uso das redes sociais para o marketing político


Agora que políticos de direita estão usando exatamente as mesmas estratégias que a equipe de Obama usou para se eleger, surgem denuncias alertando sobre os grandes riscos para a humanidade.


Não estou aqui tratando de política e nem defendendo direita ou esquerda, odeio discussões politicas e acredito que nem um dos lados é bom, ambos defendem seus próprios interesses de poder que não os verdadeiros interesses da sociedade. Estou levantando um questionamento para que a gente não consuma todo tipo de informação como se fosse uma verdade absoluta apenas por que alguém fez um documentário super produzido sobre o assunto...


Temos que filtrar o conteúdo desse documentário, entender que ali realmente existem pontos de atenção e reflexão importantes, que ele nos mostra um lado perigoso das redes sociais, mas que também foi construído de uma forma muito maniqueísta com um objetivo muito claro de construir uma narrativa muito específica.


Outro ponto importante é que tudo o que é apresentado sobre algoritmos e sua capacidade processar informações sobre usuários com objetivos comerciais é o que nós profissionais de marketing mais comemoramos e utilizamos em nosso dia a dia


Quem estuda diariamente copywriting, neuromarketing, gatilhos mentais, persuasão, métricas, segmentação de público e personas, Inbound marketing, lookalike, pixels, CRM, planejamento estratégico, entre outras coisas, não tem como ficar surpreso com nada do que aparece em um documentário como esse, e se você ficou realmente impressionado, lamento informar, mas precisa mudar de profissão. No documentário inclusive os algoritmos parecem ser muito mais eficientes do que realmente eles são.


Se começarmos com certos discursos "anti-capitalistas", contra a tecnologia, contra a internet, contra as redes sociais... é melhor mudarmos de profissão... vamos criar um grupo de "assistência social" ou nos filiarmos a uma ONG, pois o marketing trabalha em função de vender produtos e serviços, dentro logicamente de limites éticos, mas sempre com o objetivo de converter usuários em clientes.


Então não seja nem ingênuo e nem hipócrita. Devemos sim analisar os riscos do poder excessivo dessas corporações, do uso inadequado dessas ferramentas, e de toda questão de manipulação política envolvida, indiferente da corrente ideológica, mas todo esse poder de segmentação das redes sociais é benéfica para anunciantes que quando vendem mais também geram mais empregos, mais renda, mais impostos. Também é bom para os consumidores que encontram mais facilmente aquilo que desejam ou que estão procurando. Tirando isso, temos que aprender a nos controlar em relação ao uso dessas redes, educar corretamente nossos filhos e aprender a filtrar melhor o conteúdo que consumimos. Demonizar as redes sociais, a internet ou qualquer outra mídia não é a solução.


Existem muitas outras coisas maléficas na sociedade, como drogas lícitas e ilícitas, jogos de azar, entre outras, mas o fato delas serem de fácil acesso não significa que todas as pessoas vão utilizar.


O documentário é interessante, prende nossa a atenção a partir de um roteiro bem construído s aparentemente plausível, mas a arte de prender a atenção e nos convencer de qualquer argumento é justamente a especialidade desses profissionais e é justamente o que torna esse conteúdo perigoso é nocivo.

Agora... cada um dentro da sua ótica precisa assistir e tirar suas próprias conclusões de uma maneira mais crítica, essa é apenas a minha opinião com base em meus pontos de vista. Não sou o dono da verdade.




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