Faça uma busca no site:

freelas 2.png

Participe do nosso grupo no Telegram

  • Redação GestordeMarketing

Marketing de Causa ou Oportunismo?

A Band-Aid, marca da Johnson & Johnson, anunciou essa semana nas suas redes sociais o lançamento de curativos com variedade de cores de pele. As novas bandagens estarão disponíveis em “tons claros, médios e profundos de tons de pele marrom e preto”, dessa forma a marca afirma que está demonstrando seu compromisso em abraçar a “beleza da pele diversa”.

A Band-Aid oferece a mesma cor de tom Bege pálido de pele no curativo desde 1920, porém segundo relato de um ex-gerente de produtos da empresa, o Band-Aid transparente que é uma alternativa óbvia e mais viável já existe há décadas e sempre foi o mais vendido, então na prática seria desnecessário bandagens específicas com diferentes tons de pele.


Para ele, a estratégia pode ser apenas uma boa ideia de engajamento e “marketing de causa”. O mesmo também afirmou que o produto não tem nenhum problema relacionado a etnia, apesar de algumas notícias sobre o lançamento afirmarem que a escolha do bege pálido já foi questionada diversas vezes por pessoas que não se sentiam representadas.


Na mesma oportunidade do lançamento, a Band-Aid também anunciou que fará uma doação para o movimento Black Lives Matter. "Prometemos que este é apenas o primeiro, entre outros passos unidos, na luta contra o racismo sistêmico. Nós podemos, devemos e faremos melhor", diz a publicação feita pela marca.

Outro argumento é que em 2013, a BAP Store, um marketplace focado em produtos Afro já vendia o "Ebon-aid" em diversos tons de pele, ou seja, esse tipo de produto não é uma novidade no mercado.


Se tratando de uma estratégia de "marketing de causa" ou uma preocupação legítima, o fato é que cada vez mais as marcas estão ouvindo seus diferentes públicos e passaram a defender causas e muitas vezes até se envolver em questões polêmicas para gerar engajamento e visibilidade.


O acesso cada vez maior da população a internet e o uso crescente das redes sociais criaram consumidores cada vez mais críticos e participativos.


Nessa nova Era os consumidores aprenderam a contestar paradigmas, e cobrar inclusive das marcas, empresas, políticos e influenciadores um posicionamento sobre os mais diversos e polêmicos temas.

Em 2015 o Boticário lançou uma polêmica campanha de dia dos namorados com casais heterossexuais e casais homoafetivos, o que gerou muita discussão entre pessoas contrárias e a favor a esse posicionamento, denúncias no CONAR e até processo. O fato é que a campanha foi um sucesso e a empresa teve recorde de vendas naquele período, ganhando inclusive o Grand Effie (prêmio máximo) no Effie Wards Brasil 2015. Depois disso diversas outras marcas passaram também a defender a causa LGBT+ e usar casais homoafetivos em suas campanhas.


Em 2018, ambientalistas mostraram os riscos do uso de canudos plásticos para a fauna marinha. Rapidamente o McDonald´s agiu e deixou de entregar canudos aos seus clientes, o

Bob´s trocou seus canudos plásticos do milk-shake por canudos comestíveis, e a Delta AirLines passou a usar canudos de bambu e madeira.


No marketing de causas, o foco ainda está relacionado às questões mais comuns como combate à pobreza extrema, educação inclusiva, meio ambiente e vida saudável, mas causas raciais, relacionadas as justiça, igualdade de gênero e direitos das mulheres vem crescendo.


Mas nem tudo são flores no marketing de causas, também existem riscos para as marcas que decidem se posicionar.


Segundo pesquisas, 42% dos consumidores esperam que as empresas se posicionem sobre causas sociais, porém, 29% enxergam as empresas que o fazem como oportunistas. Dependendo da bandeira que a empresa resolve defender, corre o risco de perder uma considerável fatia do seu mercado ao invés de engajar os consumidores já existentes, por isso tudo precisa ser feito com base em um bom planejamento e análise de riscos.


Minha conclusão é que marketing há muito tempo deixou de tratar apenas de produtos, marcas e mercado, e passou a ter como foco principal as pessoas. Defender causas positivas para a sociedade sempre agrega valor para as marcas, por mais que possam parecer polêmicas, e quando pensamos nos desejos, necessidades e dores de nosso publico, desenvolvemos produtos mais adequados as suas expectativas.


Leia Também:

- Racismo, Machismo e Homofobia no Marketing e na Publicidade

- Você acha que está velho para iniciar um negócio digital?

- O Fim da Era do Emprego - Adapte-se ou desapareça

- Como será o "Novo Normal"?


113 visualizações

Assine nosso canal no Youtube!

Banner Manual de Consultoria.png
banner the digital marketing book.png